terça-feira, 19 de julho de 2011

Presos acusados do assassinato do taxista da Praça Dermeval Barbosa Moreira

Dois acusados já foram capturados, um deles menor. Corpo foi reconhecido em matagal pelo filho da vítima


O taxista do ponto base do Centro de Turismo, na Praça Dermeval Barbosa Moreira, desaparecido desde a madrugada da última quinta-feira, 14, Juarez de Oliveira Machado, 54 anos, foi assassinado, tendo seu corpo sido encontrado no sábado, 16, num buraco escavado próximo à margem de uma estrada de terra batida, no acesso a Salinas, distrito de Campo do Coelho, e reconhecido pelo filho dele, Paulo Victor Noel Machado, que acompanhava os policiais do 11º BPM e da 151ªDP numa diligência com cães farejadores. 
Na estrada, Paulo reconheceu pedaços do revestimento da mala do táxi de seu pai, o Palio Adventure vermelho, LLI 7855. O corpo estavasemienterrado e encoberto por vegetações secas. Foram roubados apenas R$ 80 que Juarez tinha na carteira. Seus pertences e uma caderneta com telefones de clientes foram abandonados na estrada próximo ao corpo. O táxi foi abandonado ainda na quinta-feira, nas proximidades de Lagoa Seca, entre os distritos de Conselheiro e Riograndina. 
No início da tarde de sábado, 16, policiais do Patamo 1, através de investigações e denúncias, capturaram dois acusados do assassinato: Dione Damasceno Soares de Oliveira, 18 anos, e um adolescente de 17 anos. Ambos estavam escondidos há pelo menos dois dias numa mata da Rua Souza Cardoso, na Vila Amélia. Ao ser flagrado, o menor confessou aos policiais que em companhia de Dione e de um outro rapaz, ainda foragido, solicitou a Juarez uma corrida à Chácara do Paraíso, na madrugada do dia 14. Na RJ-150 (Nova Friburgo-Amparo-São José do Ribeirão), após a fábrica Haga, Dione rendeu o taxista anunciando o assalto. Juarez foi obrigado a desviar o itinerário rumo à RJ-130 (Nova Friburgo-Teresópolis).
No caminho, ao tentar reagir, Juarez foi espancado e colocado na mala do táxi. Dione teria assumido a direção do veículo e já na estrada vicinal de acesso a Salinas teve que parar para trocar um pneu furado, num trecho totalmente ermo. Juarez teria conseguido abrir a mala e corrido, mas foi apanhado pelo trio, que o espancou até a morte com golpes na cabeça desferidos com a chave de roda do veículo, chutes, socos e pontapés. O trio enterrou o corpo de Juarez no próprio local e fugiu com o táxi, abandonando na tarde seguinte. 
A avó do adolescente apreendido disse em depoimento aos policiais do núcleo de homicídios da 151ª DP que na quinta-feira, 14, seu neto, em companhia de Dione e outro rapaz, esteve em sua casa para almoçar. Todos aparentavam estar muito nervosos. A mulher estranhou o fato de Dione estar dirigindo um táxi vermelho e perguntou que carro era aquele. “Dione me disse que o táxi era do seu novo patrão, um homem muito rico, que morava no Vale dos Pinheiros e que emprestou o carro”, revelou a avó do adolescente, encaminhado ontem, 18, ao instituto Padre Severino, no Rio, para recuperação de menores infratores. Os policiais militares que capturaram Dione e o adolescente na mata da Vila Amélia informaram que Dione, o menor e o foragido decidiram assaltar o taxista para conseguir dinheiro, e depois de matá-lo ainda circularam com o táxi pela região de Salinas e também no Centro, antes de abandonarem o veículo em seguida. Ainda de acordo com a polícia, Dione é acusado de ameaçar moradores de Salinas. Além dos PMs do Patamo 1, o sargento David e os soldados Gilber, Flaner e Maurício, participaram da operação o subtenente Brandão e o soldado Cardinot, com a supervisão do comandante do 11º BPM, tenente-coronel Marcelo Freiman juntos com policiais civis supervisionados pelo delegado Luís Cláudio Cruz que exaltou ontem, em coletiva à imprensa no quartel do 11º BPM, junto com o comandante Freiman a parceria das polícias civil e militar que deram uma resposta rápida à sociedade no esclarecimento do crime. Outros dois acusados da morte do taxista já foram identificados.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Taxista da praça desaparece após corrida de madrugada

Um mistério para a polícia de Nova Friburgo. O taxista Juarez de Oliveira Machado, 54 anos, do ponto base do Centro de Turismo, na Praça Dermeval Barbosa Moreira, está desaparecido desde a madrugada da última quinta-feira, 14. De acordo com colegas do ponto, ele deixou o local em seu táxi, o Palio Aventure vermelho, LLI 7855, por volta das 2h30, para fazer uma corrida solicitada por quatro jovens, com destino ao bairro Chácara do Paraíso, e não retornou ao ponto. Juarez tinha o costume de transportar diariamente operadores de uma emissora de TV local até a torre repetidora, no Alto do Caledônia. A falha ao compromisso alertou a família e os colegas do ponto base para seu desaparecimento. Desde então, todas as chamadas feitas para o celular dele não são atendidas. 
O táxi, sem vestígios de violência e com uma toalha amarela que Juarez usava, foi abandonado na RJ-148 (Nova Friburgo-Carmo), próximo a um posto de gasolina, perto do acesso ao Parque Maria Tereza. A carteira com os documentos do taxista foi encontrada no Loteamento Girassol. A polícia foi informada que o táxi de Juarez fora visto ainda na quinta-feira, 14, na região rural de Salinas, distrito de Campo do Coelho, com dois jovens aparentando 18 anos e 1,70 metro de altura, um deles, segundo as investigações, seria morador da Vila Amélia e o outro, do distrito de Riograndina. 
O filho do taxista, Leonardo Machado, disse à reportagem de Noticias de Friburgo que Juarez havia se desentendido recentemente com a esposa e estava hospedado em sua casa desde o início da semana. Leonardo soube ainda que um dos quatro jovens que solicitaram a corrida de madrugada à Chácara do Paraíso era conhecido de seu pai. Ainda de acordo com Leonardo, o pai só fazia corridas à noite para passageiros conhecidos. 
Qualquer informação sobre o paradeiro de Juarez pode ser comunicada ao setor de investigações da 151ª DP, através dos telefones 2533-0849 e 2533-0887 ou ainda ao Disque Denúncia do 11º BPM: 2523-4590.

Presa dupla de motociclistas que assaltava postos de combustíveis

Na operação da P2, um adolescente que participava dos roubos foi encaminhado ao Instituto Padre Severino 

Através de investigações, agentes do serviço de inteligência (P2) do 11º BPM capturaram a dupla que vinha aterrorizando os frentistas de postos de combustíveis em Nova Friburgo — nas últimas duas semanas, pelo menos cinco foram rendidos à mão armada no município e outros dois em Bom Jardim. Vagner Navega Nogueira, 18 anos, e Thiago Oliveira Guimarães, 21 anos, foram presos em flagrante na tarde de quinta-feira, 14, numa casa da Rua Epitácio Pessoa, no Jardim Ouro Preto, distrito de Conselheiro Paulino. Na mesma operação foi apreendido um adolescente de 17 anos, que admitiu à delegada adjunta da 151ª DP, Mariana Magalhães Ferrão, ter participado dos assaltos. 
Vagner e Thiago utilizavam nos assaltos a moto azul modelo YBR 125, placa LRT 0628, e sempre se aproximavam dos frentistas simulando solicitar o abastecimento; o carona os rendia e exigia toda a féria do posto. Foram alvos da dupla postos no acesso à Chácara do Paraíso e nos bairros Ypu e Duas Pedras. 
Na casa onde Vagner e Thiago foram presos, os agentes da P2 apreenderam um revólver 38 usado nos assalto. A arma — com numeração raspada, quatro munições intactas e uma deflagrada — estava numa gaveta do guarda-roupas do único quarto do imóvel. Também foram recolhidos um capacete preto com a esfinge de uma mão com entorno cinza, outro capacete branco com adesivos azuis, um óculos de sol e um casaco com capuz. O adolescente foi surpreendido durante a investida da polícia com o Gol vermelho placa KVL 5641, roubado. 
Na delegacia, Vagner e Thiago se recusaram a fazer declarações, alegando só prestarem depoimento em juízo. Ambos foram transferidos para unidades prisionais do Estado. O menor alegou ainda que o revólver apreendido era de Vagner e foi encaminhado à instituição para recuperação de adolescentes infratores Padre Severino, no Rio de Janeiro. 

Fatalidade no trevo de São Geraldo: aposentado morre atropelado por caminhão

O aposentado Geremias Muniz da Silva, 40 anos, morreu na tarde de quinta-feira, 14, atropelado pelo caminhão basculante azul, KSV 4064, ao tentar atravessar o trevo de acesso a São Geraldo, na esquina da RJ-130 (Nova Friburgo-Teresópolis) com a Avenida Feliciano Benedito da Costa. Geremias foi atingido na cabeça e teve morte instantânea. 
O motorista do caminhão, Marcos Antônio da Silva Fonseca, 30 anos, contou aos policiais que estava parado no cruzamento aguardando para acessar a rodovia, quando ouviu um forte barulho na carcaça do caminhão e imediatamente os gritos de populares pedindo para ele frear. 
Marcos Antônio, muito abalado com o acidente, acionou a equipe de salvamento do Corpo de Bombeiros e a PM, mas não houve tempo para socorrer Geremias. De acordo com o laudo médico, Geremias teve traumatismo craniano. 


PM apreende 22 papelotes de pó com jovem em escadão de Olaria


Durante patrulhamento de rotina quinta-feira, 14, por volta das 11h, no bairro Olaria, o sargento Sainato e o soldado Thiago Paixão, do 11º BPM, recolheram 22 papelotes de cocaína com um jovem de 19 anos, surpreendido num escadão da Rua São João de Meriti, próximo à fábrica Hak, no bairro Olaria. Os PMs tiveram a atenção para o jovem que estava sentado na escada, acompanhado de outro rapaz, que fugiu assim que percebeu a aproximação dos policiais, que fizeram ainda o cerco ao local com auxílio da equipe do Patamo 2 do batalhão.
Próximo ao jovem de 19 anos os policiais recolheram uma sacola plástica com a droga. O jovem negou que o entorpecente fosse seu. Na 151ª DP o rapaz foi liberado pela delegada adjunta, Mariana Magalhães Ferrão, após alegar que estava na escada à espera de um amigo para fumarem juntos um cigarro de maconha, já que é viciado na droga há pelo menos seis meses. Ele disse ainda que costuma comprar a erva, sempre à noite, num bar da Rua Raul Veiga, que funciona como boca de fumo, mas não revelou quem é o traficante.



Juarez tinha o costume de trabalhar de madrugada e, segundo colegas do ponto base, não costumava fazer corridas para grupos de jovens, somente para conhecidos

CPI, com ampla maioria de oposicionistas, terá 150 dias para investigar gastos no pós-tragédia


21O petista Cláudio Damião foi escolhido para presidir a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada esta semana pela Câmara para investigar o uso dos R$ 10 milhões repassados pelo governo federal à Prefeitura de Nova Friburgo, para utilização emergencial na limpeza da cidade após a tragédia climática de 12 de janeiro. A escolha foi uma deferência dos demais membros da comissão ao vereador, que é o autor da proposta para a criação da CPI. O prazo das investigações será de 150 dias, quando será elaborado e votado pelo plenário do Legislativo um relatório final, a ser encaminhado ao Ministério Público.
A oposição ao atual governo municipal — que chegou a ventilar a hipótese de uma manobra dos governistas para assumir o controle da CPI — acabou ficando com praticamente todas as cinco vagas da comissão. O relator será o vereador Pierre Moraes (PDT) e os outros três membros escolhidos são Edson Flávio (PR), Renato Abi-Râmia (PMDB) e Isaque Demani (PR). Este último substituirá Nami Nassif (sem partido) que, após ter sido escolhido, declinou do convite.
Segundo Cláudio Damião, mesmo com a Câmara em recesso parlamentar até 2 de agosto, a CPI fará a primeira reunião na semana que vem para traçar as diretrizes e o calendário das investigações. A princípio, o alvo da atuação será o repasse dos R$ 10 milhões à Prefeitura, porém, o presidente da CPI adiantou que o repasse do Ministério da Saúde para a Fundação Municipal de Saúde, de aproximadamente R$ 9 milhões, também poderá ser incluído no trabalho da comissão ao longo dos próximos cinco meses.
Damião ainda não sabe se a CPI decidirá por pedir diretamente ao Ministério Público Federal cópias autenticadas dos 41 processos apreendidos na Prefeitura no último dia 13, numa rumorosa operação de oficiais de Justiça e Polícia Federal, ou se aguardará a devolução dos documentos no prazo máximo de 30 dias ao governo municipal, de acordo com a decisão do juiz da 1ª Vara Federal de Nova Friburgo, Eduardo Francisco de Souza, ao autorizar a busca. O presidente da CPI destacou que este assunto e também a convocação de autoridades para prestarem depoimentos no curso das investigações começarão a ser decididos coletivamente pelos cinco membros da comissão a partir da semana que vem.
“Vamos analisar todos os processos de pagamento, passo a passo, e também discutir um calendário para ouvir as autoridades que os membros da CPI entenderem ser importantes na investigação”, disse.


     * VER COLUNA COMPLETA EM 'BASTIDORES DA POLÍTICA - 16 A 18 DE JULHO 2011'

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Fri vence Angra dos Reis, encosta no Bonsucesso e continua firme em sua luta pelo retorno à elite

O Friburguense conquistou mais um grande resultado na noite de quarta-feira, 13, no Estádio Eduardo Guinle, vencendo o Angra dos Reis por 3 x 1, com gols de Cadão (2) e Diego Guerra, de pênalti, e agora caminha firme e forte para o retorno à primeira divisão, em 2012. Neste sábado, 16, o tricolor joga com o Ceres, no Estádio João Francisco, Rio de Janeiro, e o pensamento é conquistar mais uma vitória. 
O jogo começou eletrizante e ao Friburguense só interessava a vitória, já que o Bonsucesso, jogando mais cedo, venceu seu compromisso e continua na primeira colocação. O Fri, naquele momento com 35 pontos, precisava somar mais três para encostar no time carioca, que tem 39. E a vitória começou a ser construída logo no início. Aos cinco minutos, Ricardinho tentou abrir o marcador, colocando a bola por cima do travessão; aos nove foi a vez de Rômulo tentar. Nesta altura, o Fri já dominava totalmente a partida, mas perdia muitas oportunidades; aos 15, GOOOOOOOOOOOOL DO ANGRA DOS REIS. CHIQUINHO: Willian entrou na área, bateu cruzado, Marcos não segurou e Chiquinho marcou, Fri 0 x Angra 1; aos 20, tempo técnico, momento em que Gerson Andreotti procurou alertar o time para os avanços do Angra dos Reis.
O Fri voltou dominando, mas seguiu perdendo, até que, aos 23 minutos, a galera explodiu. GOOOOOOOOOOOOOOL DO FRI. CADÃO: falta cobrada por Rômulo, que jogou na área, e Cadão, que empatou para o tricolor. Aos 28, o Frizão ensaiou a virada, a torcida esquentou o time, que começou a tentar jogadas pelo alto, mas o Angra dos Reis abusou nas faltas; o Fri virou logo em seguida, GOOOOOOOOOOOL DE CADÃO. O goleiro tentou defender e socou a bola pra dentro de seu gol, decretando a virada tricolor, porém, o árbitro assinalou gol do zagueiro tricolor. Quando terminou o primeiro tempo, pela disposição do time tricolor, parecia que na segunda etapa o Fri aplicaria uma nova goleada.
A previsão quase se confirmou no início do segundo tempo e aos 8 minutos Marcelo bateu de esquerda, Gustavo estava fora do gol, apareceu Chiquinho para salvar aquele que seria o terceiro gol do Fri; aos 10, Ricardinho entrou livre na área, tentou driblar o goleiro do Angra e perdeu um gol feito; aos 15, Zambi fez grande jogada, que Rômulo desperdiçou; aos 16, Marquinhos cobrou falta espetacular, rente à trave do Angra, e aí chegou o tempo técnico.
É impressionante como o Fri se acerta durante o tempo técnico, pois o time dava nítida impressão que caminhava para outra vitória expressiva e começou a apertar o Angra dos Reis nas saídas de bola, enquanto o time da região praiana começou a abusar das faltas, até que SOS 32 minutos: Marquinhos dominou na área e acertou o travessão do Angra dos Reis; aos 36, Flavinho chutou sem jeito e quase marcou. Na sequência o goleiro Gustavo salvou o Angra, na cabeçada de Cadão. 
A pressão do Frizão continuou a todo vapor, as faltas aumentando e a certeza de uma expulsão a qualquer momento, o que acabou acontecendo, até que aos 40 minutos o goleiro Gustavo fez pênalti em Zambi, Diego Guerra dobrou com perfeição e fez o terceiro GOOOOOOOL do Fri. Não deu outra: em mais uma falta violenta, Bruno Moura, do Angra, foi expulso.
Este foi o resumo de Friburguense 3 x 1 Angra dos Reis. O tricolor caminhando a passos largos para retornar à elite carioca e iniciar o trabalho de preparação, usando a Copa Rio, que começa já no mês de agosto, como laboratório para revelar novos valores que disputarão a primeirona em 2012, ao lado de Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo etc.

A Voz dos Bairros - Loteamento Girassol: ainda um cenário de pós-guerra

Quem chega hoje ao Loteamento Girassol — uma pequena localidade que reúne aproximadamente 80 famílias, entre os bairros Santa Bernadete e Jardim Califórnia — tem a impressão de que se está em algum lugar do Oriente Médio bombardeado pelos constantes conflitos daquela região. No Girassol diversas casas se encontram completamente destruídas, com paredes quebradas e cobertas por lama. Numa delas, que ainda tem parte da varanda erguida, as sobras de um Fusca cheio de lama e entulho dão a dimensão do horror que a tempestade de janeiro deixou na localidade. O nível do Córrego Dantas, que corta o Girassol, chegou a quase quatro metros de altura. Até mesmo o para-choque cinza de um carro, placa LIK 3026, foi parar no galho de uma árvore. 
Ao longo do leito, pelo menos sete carcaças de veículos trazidos pela forte enxurrada ainda se encontram presas em meio a pedras, galhos de árvores e barrancos de areia. Até um caminhão foi encontrado em meio à correnteza do córrego — que tomou, no dia da tragédia, a proporção de um imenso rio. Algumas casas do Girassol, construídas próximo à margem, foram totalmente levadas pela correnteza. No lugar delas sobram entulhos e muita lama. Em outras, de dois andares, a enchente engoliu todo o primeiro pavimento e invadiu também o segundo. Por sorte, todos os moradores do Girassol conseguiram se salvar, mas sete corpos foram encontrados no loteamento depois que o nível da água baixou. Galerias de esgoto também foram danificadas. 
“Naquela madrugada tive que sair de casa com meu filho, que é especial, e toda a minha família, pulando para uma outra casa vizinha por tábuas colocadas entre uma parede e outra. Tivemos que quebrar até uma parede para conseguir sair da nossa própria casa, já tomada pela água. Foi horrível”, lembra a moradora Angélica de Fátima da Costa, que não conseguiu o aluguel social e não teve outro jeito a não ser continuar morando no local — temendo sempre a chegada dos próximos temporais. “O que será de todos nós que vivemos aqui? Todos agora não param de ficar vigiando o rio”, pergunta, dizendo ainda ter tido toda a família salva graças a seu cachorro, que acordou todos na noite da tragédia escavando o ralo do banheiro no momento que os cômodos do primeiro andar já estavam alagados. 
“Moro aqui há 14 anos e nas enchentes passadas a água que entrou na minha casa nunca passou de 20 centímetros de altura. Desta vez quase chegou no teto. Nunca vi coisa igual. Por um milagre conseguimos ser salvos para uma casa vizinha”, disse a moradora Maria Davina Rangel Costa, 78 anos.


União dos moradores em frentes de emergência: até uma ponte de madeira foi improvisada

Cansados de esperar por ações efetivas do poder público, os moradores do Girassol arregaçaram as mangas e vem promovendo periodicamente mutirões de limpeza do Córrego Dantas. As frentes acontecem nos fins de semana com uma retroescavadeira e um caminhão cedidos por um empresário da cidade. O pagamento do motorista é feito pelos próprios moradores. Até uma ponte de concreto levada pela enxurrada já foi substituída por outra de madeira e improvisada somente para pedestres. 
“Nossa meta é retirar a maior quantidade de galhos, entulhos, lixo e lama possível do leito e das margens para dar maior vazão ao córrego. Se não for feito isso agora, com qualquer chuva mais forte haverá transbordamento”, diz a servidora pública e também presidente da associação local de moradores, Luciana da Silva Pinto, que não se cansa de cobrar providências para o loteamento, mas se diz descrente de investimentos públicos no Girassol. “Pelo menos a dragagem do córrego e a limpeza dos locais atingidos teriam que ser feitos. São serviços urgentes que já foram solicitados várias vezes”, destaca Luciana. A Secretaria Municipal de Obras informou que o Girassol está no roteiro de ações emergenciais de limpeza e melhorias.

Casas inteiras foram destruídas com a força da enxurrada. Muitos moradores ainda permanecem abrigados nas casas de familiares ou amigos
Cenas de destruição por toda a parte. Nesta casa apenas um fogão sobrou. Família foi salva às pressas

quinta-feira, 14 de julho de 2011

População realiza protesto em Friburgo...


Após seis meses das chuvas que atingiram as cidades da Região Serrana do Rio, moradores de Nova Friburgo realizaram manifestação contra a morosidade nas obras de reconstrução das encostas e a demora no repasse do aluguel social a mais de 2.200 famílias. Cerca de 200 pessoas participaram do protesto que saiu da Praça Dermeval Barbosa Moreira até a Prefeitura.

Os manifestantes lembraram a ação da Justiça Federal na prefeitura, ocorrida pela manhã, e que resultou na apreensão de 40 processos de licitação feitos durante o período de calamidade pública e que, segundo denúncias do Ministério Público Federal (MPF), possuem irregularidades.

Protesto por reconstrução de Friburgo reúne centenas de friburguenses no Centro

Indignação. Este foi o sentimento dos friburguenses que se manifestaram na terça-feira, 12. Desde o fim da tarde, a Praça Dermeval Barbosa Moreira ficou repleta de pessoas, que se reuniram após os seis meses da catástrofe que assolou a Região Serrana para cobrar soluções imediatas dos problemas enfrentados por moradores de Nova Friburgo.
O destaque do manifesto foi a interação entre os jovens e sindicalistas que lideravam o movimento e populares. Com um carro de som, três sindicalistas — Luiz Salarini, Edil Nunes e Sidney Moura — convidavam a população a participar e expor seus problemas ao microfone. Foi grande o número de moradores que se queixaram da demora das obras de revitalização da cidade, do não pagamento do aluguel social e, principalmente, das recentes denúncias do Ministério Público Federal. A cada pessoa que se manifestava ao microfone era nítido o sentimento de revolta dos populares, a ponto de alguns participantes sugerirem agressões a autoridades e quebra-quebra pela cidade. “Gente, esse protesto é pacífico, ordeiro e existe liderança. Vamos nos manifestar pacificamente e caminhar até a Prefeitura para reivindicar”, salientou Luiz Salarini.Ao longo da Avenida Alberto Braune, gritos de torcida foram adaptados pelos manifestantes para expor sua indignação com a administração municipal. A chegada à Prefeitura foi o ápice da manifestação, que reuniu cerca de 300 pessoas. Os manifestantes prometeram não se calar enquanto as obras de reconstrução da cidade não forem concretizadas.


O protesto terminou em frente à Prefeitura, tendo alguns manifestantes se dirigido depois à Câmara, onde foi aprovada a CPI